terça-feira, 9 de setembro de 2014

Retornar a Kant é progredir

Tobias Barreto

➤ Excerto de Traços de Literatura Comparada do Século XIX (1887), do volume Crítica de literatura e arte. In: Obras completas de Tobias Barreto. Organização e notas de Paulo Mercadante e Antônio Paim, com a colaboração, introdução e notas de Luiz Antônio Barreto. Rio de Janeiro: Record; Brasília: INL, 1990, p. 151-156.


******

Ao lado de todos estes egrégios representantes do heroísmo intelectual da Alemanha levanta-se também a não menos esplêndida e singular figura de Emanuel Kant. [1]

Parece à primeira vista que a apreciação de um sistema filosófico, ainda limitada aos seus princípios, aos seus pontos capitais, não entra de pleno direito no quadro de um ensaio de história literária. Mas dado mesmo que assim fosse, o que não é aceitável, haveria mister de abrir aqui uma exceção a respeito do filósofo genial de Königsberg, cuja doutrina foi uma espécie de roble viçoso, com o qual abraçou-se e confundiu-se a hera do pensar e poetar alemão, desde o fim do passado até muito além do primeiro quartel do século vigente. Diz Johannes Scherr:

“Um dos mais maravilhosos paralelos, que a história pôde mostrar-nos, é o que se dá entre os dois seguintes fatos. Ao passo que além do Reno começava a pôr-se em cena a tragédia revolucionária, cá bem longe, em uma velha cidade da Alemanha, no gabinete de estudo dos mais pacífico dos professores, executava-se também a mais ousada revolução do pensamento. Um homenzinho, de aparência vulgar, tímido e cauteloso, sempre lépido e bem penteado, com uma regularidade de vida que tocava à monotonia do relógio, tão embebido nas suas meditações que nunca avançou um passo fora dos subúrbios da sua terra natal, este homem fez surgirem ideias que escalaram o céu, e organizadas no sistema do idealismo crítico transtornaram a concepção teológica do mundo” [Schiller und seine Zeit (Schiller e seu tempo),1859, p.397. Internet: https://archive.org/stream/schillerundseine00sche#page/396/mode/2up. Consulta: 04/08/2017].

Entre todos os sistemas de filosofia nenhum tem tão pouco de comum com os precedentes como o sistema kantesco. Nunca a linha de separação entre o antigo e o moderno foi tão clara e vivamente acentuada. Quaisquer que sejam as comparações que se façam, as afinidades que se descubram, a antítese é sempre maior do que a analogia.

É certo que também Bacon e Descartes, os dois fundadores da filosofia moderna, mantêm-se com o passado em decidido antagonismo, ambos querem reformar a obra da ciência, recomeçando-a, fazendo-a voltar sobre seus passos; mas afinal o que eles produzem encontra nos velhos tempos uma espécie de parentesco.

A explicação mecânica de Bacon, Descartes e Spinoza, em oposição à que se funda sobre o conceito de causas finais, acha exemplos na Antiguidade. A antinomia entre a intuição mecânica e a intuição teleológica não é nova.

Basta lembrar que Bacon mesmo, tão inimigo da antiga filosofia, torna-se entretanto defensor da doutrina atomística de Demócrito; e Leibniz, que sustenta o princípio da finalidade, não faz mais do que continuar Platão e Aristóteles.

É isto, porém, o que não se dá com Kant. Ele não é reformador, nem aperfeiçoador de nenhum sistema precedente. Para ele não se trata de saber se a verdade está no mecanismo, ou no finalismo do universo. A sua questão é muito diferente, quer no modo de propô-la, quer no modo de resolvê-la. O que importa, principalmente, é compreender com exatidão este caráter novo e diferencial da revolução kantesca. 

Antes de tudo, é inegável que a filosofia só pode ter uma feição definida, como ciência, se ela se distingue claramente de todas as outras, se ocupa-se de assuntos de que as outras se não ocupam, que as outras lhe não disputam. Só assim o seu domínio está seguro e fundada a sua posição. Esta firme posição ela não chegou a assumir, senão por intermédio de Kant.

A filosofia antiga e a teologia medieval podiam falar de boca cheia. As ciências ainda eram menores e se achavam sob tutela. Mas desde a Reforma e as grandes descobertas, que a precederam, elas emanciparam-se depressa, e a filosofia ficou colocada na dura alternativa de entregar-se-lhes de corpo e alma, ou de morrer exauriente, inanida, à falta de alimentação.

Kant achou o meio de salvá-la: foi dar-lhe um novo objeto, um objeto próprio, um objeto seu. Este objeto é o conhecimento mesmo, estudado em sua fonte; é a faculdade de conhecer sua extensão e seus limites.

Eis aqui, pouco mais ou menos, os traços gerais do kantismo. Todo e qualquer conhecimento compõe-se de matéria empírica e de forma intelectual, aplicada a essa matéria; não há pois conhecimento algum tirado do puro pensamento; conhecer o que está acima dos sentidos entra no reino da impossibilidade. Não passa portanto de um tatear nas trevas, quando deixamos a esfera dos fenômenos, para elevarmo-nos ao mundo hipersensível.

As nossas ideias desse modo são quimeras; são afirmações caprichosas sobre coisas, que tanto se podem provar que existem como que não existem. [2]

O alvo e o resultado da Crítica da razão pura foram expressos pelo próprio Kant em uma carta a seu amigo Tieftrunk:

“Objetos sensíveis, nós só os conhecemos como eles nos aparecem, e não como eles são em si mesmos, objetos suprassensíveis não constituem para nós matéria de conhecimento”. [Carta a Johann Heinrich Tieftrunk, de 11/12/1797. Kant’s Correspondence, Cambridge, 1999, p. 537. Internet: https://pt.scribd.com/document/262459369/Kant-Immanuel-Correspondence-Cambridge-1999-pdf. Consulta: 04/08/2017.]

É uma formal condenação da metafísica, mas da metafísica como ciência, e não como disposição natural (Naturanlage) e indestrutível do espírito.

De tudo isto se depreende que Kant foi realmente o Copérnico da filosofia; não o Copérnico do erro, segundo a tola expressão de um Sr. Edouard Manec, tradutor francês da Filosofia fundamental de Balmes, mas o descobridor da verdadeira arquitetônica do pensamento humano. Há somente a lastimar que o filósofo tenha sido muitas vezes combatido por gente que nunca o leu.

Os teólogos, sobretudo os fideístas de grande e de pequeno estilo, ainda continuam a fundibular contra ele, na errônea persuasão de apedrejarem assim o maior, o mais perigoso racionalista, quando aliás é certo que foi justamente Kant quem matou por uma vez o racionalismo de todos os tempos e de todos os tamanhos.

A proposição é nova e arriscada, mas basta refletir um pouco para compreender sua exatidão. Com efeito, nada mais simples: se a pura razão, sem base experimental, não é capaz de produzir senão quimeras, com que direito se fala de um conhecimento racional de Deus e das coisas que lhe dizem respeito, desde que Deus não é objeto sensível, e como tal, tanto pode ser afirmado, como pode ser negado, com argumentos igualmente lógicos, igualmente vigorosos? Quem quer pois que sinta a necessidade de um Deus pessoal, de uma vida ulterior, e todos nós sentimo-la, não tem de apelar para sua razão, que no caso é nula, mas somente de atirar-se nos braços da fé que vivifica, nos braços de uma religião, de uma igreja, cujo credo melhor corresponda a essa necessidade.

A emenda que o filósofo, no seu livro posterior, segundo a opinião corrente, parece ter feito em sua primitiva doutrina, não é uma tal. Entre as visões quiméricas da razão pura e os postulados da razão prática não vai uma longa distância; e afinal, tudo bem examinado, o resultado é que há tão pouco direito de afirmar-se, só em nome da razão, um Deus remunerador, condição e garantia de eterna felicidade, como há de admitir-se, pelo mesmo processo, um criador, uma causa suprema do universo. Para chegar a esta altura e nela permanecer tranquilo, sem correr o rico de entontecer e cair, o homem necessita tomar outro caminho.

Já se vê que o sistema de Kant, conforme se deduz de um estudo mais sério das suas bases, não prestou, nem podia prestar apoio algum às chamadas teorias racionalísticas. Certamente as suas ideias, como disse Johannes Scherr, desbarataram a intuição teológica do mundo; mas isto só é exato, e só deve-se compreender-se no sentido da teologia como ciência, não menos fantasmagórica e impossível do que a metafísica, que é a teologia da razão, como a teologia é a metafísica da fé.

A Crítica da razão pura, o primeiro manifesto revolucionário do filósofo, saiu à luz em 1781, um mês depois da morte de Lessing (15 de fevereiro), e dois meses depois da primeira representação do Idomeneu, de Mozart, ópera em que o jovem componista (25 anos) rompera com as tradições recebidas. Coincidência notável: nesse ano também surgiu Le Mariage de Figaro, de Beaumarchais, la revolution déjà en action, como mais tarde exprimiu-se Napoleão a respeito da célebre comédia, que entretanto só começou a ser representada em 1784.

Era o tempo do maior fulgor do classicismo alemão. Winkelmann, que morrera em 1768, estava na ordem do dia.

Em 1787 apareceu o Ardinghello, de Heinse; em 1788, os Deuses da Grécia, de Schiller, e a Crítica da razão prática, de Kant; em 1789, Os Artistas, de Schiller; em 1790, as Elegias Romanas, de Goethe, e a Crítica do juízo, de Kant; em 1795, os Prolegômenos, do mesmo Kant, bem como a Educação estética, de Schiller; e assim por diante até Hermann e Dorothéa, de Goethe (1797) e outras criações do gênero. A seriação diz tudo. Era uma bela embriaguez; as melhores esperanças da humanidade tinham acordado vívidas e impetuosas. 

Convém agora apreciar o modo por que os contemporâneos receberam a filosofia de Kant. Em 1784, G. F. Stäudlin escrevia:

“Esta nova filosofia exerceu uma encantadora influência sobre todas as ciências e ganhou amigos e sectários entre aqueles mesmos que não se consagram a estudos filosóficos. Ela é de tal natureza, que ainda em um remoto futuro novos germes de conhecimento daí se podem desenvolver”.

No mesmo ano dizia também Fichte:

“A filosofia de Kant é por ora ainda uma pequena semente; porém esta semente há de e deve tornar-se uma árvore capaz de cobrir com a sua sombra a humanidade inteira”.

O vaticínio cumpriu-se. É Schiller quem fala, em 1805:

“As ideias fundamentais da filosofia ideal são um eterno tesouro; e só por causas delas devemos julgar-nos felizes de ter vivido nesta época”.

Disse então W. de Humboldt, comentando as palavras de Schiller:

“A grandeza e a força da fantasia existem em Kant, ao lado da profundeza e do rigor de pensamento”.

Da harmonia de todos esses nobres espíritos, só um destoou, com desvantagem para o seu renome: foi Herder. Entretanto Kant teve a singular fortuna de que depois, logo depois do seu alto feito filosófico, não houve, em geral, pensador notável que não quisesse pôr-se de acordo com ele, subordinar-se, filiar-se a ele.

K. L. Reinhold foi quem tomou a frente. A teoria da ciência (Über den Begriff der Wissenschaftslehre, 1794) de Fichte veio e complementou o que Reinhold começara. Da teoria da ciência saiu imediatamente a filosofia da natureza (Ideen zu einer Philosophie der Natur als Einleitung in das Studium dieser Wissenschaft, 1797) de Schelling, e desta desenvolveu-se o sistema de Hegel.

Jena foi o ponto de partida da evolução kantesca. Ali se acharam numa mesma quadra, como professores universitários, e professores de Filosofia, primeiramente: Schiller, Fichte, Schelling; depois: Schelling, Hegel, Fries; depois: Hegel, Fries e Oken.

Os filósofos que seguiram-se a Kant podem dividir-se em quatro classes. A 1ª é a dos kantistas pur sang, que agarraram-se à letra do mestre e tomaram a crítica da razão por um sistema completo da mesma razão. A 2ª é a dos que procuraram tirar todas as consequências do kantismo; a esta pertencem Fichte, Schelling e Hegel. A 3ª é a dos que trataram de acomodar essa filosofia às necessidades da vida, como Reinhold e Jacobi. Na 4ª, finalmente, estão compreendidos os semikantistas, que buscaram abrir novos caminhos, um pouco desviados da direção do chefe. Foram eles: Fries, Herbart, Schopenhauer, Benecke, Reinhold filho, Trendelenburg e outros modernos.

Destas quatro classes, só a 2ª e a 4ª mostraram-se fecundas, e foram além da época do seu aparecimento.

Os kantistas pur sang não tiveram descendência filosófica. Os da 3ª classe, Reinhold e Jacobi na frente, posto que se entregassem a popularização do sistema, não puderam todavia levar muito longe os resultados dos seus esforços.

A razão disto está em que Reinhold havia recebido uma educação jesuítica. Ele compreendeu e procurou desenvolver a filosofia do mestre no sentido de uma teoria religiosa, ou uma espécie de religião racional.

Jacobi porém fez-se medianeiro entre o seu tempo e as ideias kantescas. O seu mérito consiste em ter promovido o reconhecimento dessas ideias e a sua propaganda em mais largos círculos. Mas teve medo de chegar a até aos extremos que a lógica exigia.

Todavia estes dois popularizadores prepararam o terreno em que os kantistas sistemáticos e consequentes deviam lançar a semente frutífera. Destarte, quando Kant morreu (1804), já a sua filosofia, encarada sobretudo pelo lado prático, a sua teoria da virtude, o imperativo categórico do dever, tinham ganhado a maior influência. A prova é que três anos depois da morte do grande pensador (1807), o seu discípulo Fichte, nos famosos Discursos à nação alemã, já encontrava um povo predisposto para entusiasmar-se e transforma-se por força de tais ideias.

E aqui releva tomar nota de um fenômeno excepcional. Fichte, que foi e ainda hoje é considerado o mais difícil, o mais obscuro dos filósofos alemães, foi também ao mesmo tempo o mais claro, o mais convincente, o mais popular dos adoradores dessa nação.

A antítese é singular, mas não deixa de ser explicável. Como filósofo, Fichte teve a pretensão de dar mais largas dimensões ao kantismo; o resultado foi torná-lo menos puro e menos acessível à inteligência geral. Como orador, porém, ele não fazia mais do que tirar, diante da miséria nacional, os corolários práticos do imperativo categórico de Kant, que já era então bem comum entre as classes cultas do país.

Além disto, é bom não esquecer que a eloquência está sujeita a condições cronológicas em muito maior grau do que a poesia e a música.

Demóstenes, S. Paulo, Savonarola, Lutero, Bernardino Ochino de Siena, Mirabeau, etc., etc. foram todos produtos da sua época, dos sucessos que nela influíram, dos fatores que a determinaram. Fora daí, tais homens teriam sido impossíveis. Mas esses sucessos esses fatores não se evocam à vontade. Eis a razão por que, em geral, a oratória da atualidade não tem mais o sério e a força de outrora. O orador hodierno, o grande orador mesmo, e eu só me refiro aos grandes, assemelha-se a um genial tocador de viola: admirável, estupendo, sublime, mas sempre anacrônico, sempre fora de seu tempo, e como tal um pouco ridículo.

A Fichte não faltaram as condições necessárias para o desenvolvimento da verdadeira eloquência. Era o estado excepcional da sua nação. E é por isso que os Discursos constituem um feito heroico: levantaram-na do abatimento e humilhação em que se achava. A palavra do orador contribuiu para que em 1813 se vingassem as afrontas dos anos anteriores.

Os Discursos foram proferidos em Berlim, onde Fichte morreu em 1814, passando logo depois (1818) a sua cadeira de professor da universidade a ser ocupadas por Hegel. Desde então o hegelianismo começa a ganhar uma certa preponderância, e torna-se filosofia oficial.

Quanto a Kant, resta-me observar que posteriormente à sua obra capital, ele não foi sempre fiel a si mesmo, sobretudo nos pequenos escritos, como A paz perpétua (Zum ewigen Frieden, 1796; Internet: http://www.lusosofia.net/textos/kant_immanuel_paz_perpetua.pdf), Princípios metafísicos da doutrina do direito (Metaphysische Anfangsgründe der Rechtslehre, 1796), O conflito das faculdades (Streit der Fakultäten, 1798; Internet: http://www.lusosofia.net/textos/kant_immanuel_conflito_das_faculdades.pdf), etc., etc., nos quais a razão representa, às vezes, um papel que não está muito de acordo com os princípios da Crítica.

Mas isto se explica, não só como um efeito da velhice, mas também como resultado do fantástico entusiasmo de que o filósofo se deixou possuir pela revolução francesa, a ponto de pretender pôr a sua filosofia a serviço das chamadas ideias de 89, que aliás são outras tantas afirmações gratuitas, em frente de outras tantas gratuitas negações.

Por exemplo: o domínio dos pretendidos direitos eternos, absolutos, inalienáveis, imprescritíveis, e como quer que mais se qualifiquem, entra no reino do hipersensível, não pode ser matéria de conhecimento. Como foi pois que Kant caiu na contradição de querer dar uma aparência filosófica a esses e quejandos produtos abortivos do espírito revolucionário? São fraquezas humanas.

Felizmente para ele, a posteridade já não lê semelhantes desvarios de um septuagenário cansado e aborrecido da brutal reação que o sucessor de Frederico II fizera praticar-se contra as luzes e as generosas tendências de período anterior, e continua a ligar o seu nome e a sua glória quase exclusivamente à Crítica da razão.

Em todo o caso, é certo o que disse Hermann Hettner, que a palavra de Kühne sobre Lessing aplica-se a Kant com igual direito: voltar a ele é um progresso. 


NOTAS
[1] Para que não me julguem exagerado, por causa desse heroísmo intelectual que confiro à pátria de Kant, seja-me lícito observar que o grande romancista inglês Eduardo Bulwer, dedicando aos alemães uma das suas obras, chamou-os um povo de pensadores e de críticos. Ainda mais: o notabilíssimo escritor americano Ralph Waldo Emerson, agradecendo a Augusto Auerbach a lembrança, que tivera de traduzir em alemão os seus Ensaios, disse que muito se honrava de ver as suas ideias expostas na língua da mais inteligente das nações (the most intelectual of nations). Já se vê que estou em boa companhia.

[2] É a bela teoria, que o filósofo qualificou de tética e antitética da razão pura. Infelizmente não foi para nós que Kant operou revolução. A respeito de filosofia ainda estamos em plena Idade Média, o atqui e o ergo da Escolástica fazem todas as nossas despesas de argumentação. Ainda hoje, até ilustres professores do ensino superior oferecem como teses, seriamente discutíveis, verdadeiros motes ou bouts-rimés filosóficos, para os estudantes, para os doutores mesmos glosarem e discorrerem, quer neste, quer naquele sentido, ora no pró, ora no contra, com o mesmo senso de verdade e profunda observação dos fatos, com que, por exemplo, um exímio poeta dos nossos dias, o vate de Jaboatão, sobre o mote emblema da simpatia, construiu aquela mimosa décima, em que vem mencionada a espada da sua bola. É triste, mas é verdade.

Nenhum comentário: